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O mercado financeiro brasileiro tem mudado rapidamente, e isto é muito bom. Em função de avanços tecnológicos e regulatórios, instituições pequenas têm conseguido competir com os grandes bancos em serviços como cartão de crédito, contas bancárias, crédito ao consumidor e investimentos. Os tradicionais “bancões”, que por muito tempo dominaram todos estes serviços, estão tendo que se adaptar a um mercado mais aberto, mais justo, com players novatos especializados, com serviços de maior qualidade e bastante competitivos em custo.

 

No universo dos investimentos um dos maiores avanços recentes é o acesso ao serviço de Carteira Administrada, prestado por gestoras de recursos. Outrora restrito a investidores do segmento private, que contam com pelo menos 5 milhões de reais aplicados, hoje em dia é acessível com volumes muito menores. O que contribuiu enormemente para essa evolução foi a disseminação das “plataformas abertas”, contas de corretoras de valores que conferem acesso a todo o mercado financeiro. Estas contas são como “supermercados de produtos financeiros”. Dentro desta analogia as gestoras fazem a figura do nutricionista, com expertise para definir o que há de mais adequado para colocar no carrinho de compras deste supermercado.

 

O aspecto mais interessante deste modelo de serviço é a ausência de qualquer conflito de interesse. No mercado financeiro as instituições têm basicamente duas formas de ganho: spread ou taxa de administração. Spread são comissões, que no caso dos produtos financeiros como LCI ou debentures, vêm embutidos na taxa de remuneração do produto. Isto é duplamente desinteressante: o investidor não sabe quanto está pagando de custo e existe um conflito de interesse na medida em que pode haver indicação de produtos não adequados ao perfil do investidor em função de uma comissão mais alta para o profissional da instituição financeira. Gestoras não recebem spread dos produtos. O ganho destas casas se dá através de cobrança de taxa de administração, sem que haja qualquer tipo de conflito. Apesar de incipiente no Brasil entre o grande público, esta forma de assessoria representa uma tendência importante. Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos o volume de faturamento das instituições financeiras através de taxas de administração ultrapassou recentemente o volume de faturamento advindo de spreads.

 

Outra evolução de suma importância observada no mercado financeiro nacional é o papel das câmaras liquidantes, instituições responsáveis pelo registro, custódia e liquidação de operações financeiras (Cetip para títulos privados, Selic para títulos públicos e Câmara de Ações para ações). São tão eficientes que são modelo para o mundo todo. Um CDB por exemplo é custodiado na Cetip, onde estão todos os CDBs do país, independentemente de onde ele tenha sido adquirido. Desta forma, o investidor não tem que ter receio em aplicar o seu dinheiro via corretora de valores pois esta instituição só faz o papel de distribuidor. Em outras palavras, o risco de um CDB está relacionado ao banco que o emitiu e não à corretora onde este produto foi adquirido.

 

Num mundo de tantas mudanças e melhorias o investidor brasileiro só precisa ter disposição para entender um pouco sobre as novidades pois a maioria delas só traz vantagens para ele aplicar seu dinheiro. Num primeiro momento o público tradicionalmente acostumado com a figura do gerente de banco pode ter um pouco de dificuldade para entender tantas evoluções, mas quem se dispõe a quebrar alguns paradigmas encontra melhores resultados com menores riscos.

 

Daniel Sena

Gestor credenciado pela CVM